domingo, 12 de setembro de 2010

Considerações: Deriva

Podemos considerar a Deriva como uma espécie de evolução do flâneur que assume a cidade como campo de investigações artísticas e novas possibilidades sensitivas, levando em conta que o meio urbano em que vivemos é um potencializador da situação de exploração. Seu mentor, o francês Guy-Ernest Debord defendia a "construção de situações" pela busca e experimentação, pelo laissez-faire no âmbito dos desejos, tendo a arquitetura urbana como campo de estudos e atuação. Instigava o indivíduo a aventurar-se por caminhos nunca percorridos, como prédios em demolição, telhados, explorando situações inusitadas, tendo a própria cidade como mestre. A Deriva aborda também o conceito da "psicogeografia", ou seja, a influência geográfica na mente do ser, a fim de se descobrir o que influenciou, por exemplo, que ele virasse à direita e não à esquerda de uma determinada rua. Suas lições permitiram formular as bases da arquitetura de uma cidade moderna, onde o espaço físico é tão consciente e presente quanto o ser humano.

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